
Uma criança de 8 anos pede para criar conta no TikTok. Um adolescente de 15 compartilha localização em tempo real no Instagram. Uma escola coleta dados biométricos para controle de acesso. Cenários cotidianos que levantam questão complexa: como proteger menores em mundo digital onde privacidade é constantemente negociada por conveniência?
A LGPD estabeleceu proteções especiais para crianças e adolescentes, reconhecendo sua vulnerabilidade particular no ambiente digital. Diferentemente de adultos que podem avaliar riscos e consequências, menores frequentemente não compreendem completamente como dados pessoais podem ser utilizados contra seus interesses futuros.
Esta proteção especial não surge do vácuo jurídico. Constitução Federal já estabelece proteção integral da criança e adolescente como dever da família, sociedade e Estado. LGPD extends essa proteção para universo digital, criando frameworks específicos que empresas devem navegar cuidadosamente.
Criança: pessoa com até 12 anos incompletos
Adolescente: entre 12 e 18 anos incompletos
Essa distinção etária não é meramente administrativa – determina completamente como dados podem ser tratados legalmente.
Para crianças menores de 12 anos, LGPD é categórica: consentimento deve ser dado pelos pais ou responsáveis legais. Não há exceções, não há flexibilidade. Criança não pode consentir validamente com tratamento de seus dados pessoais.
Implicação prática: Plataformas digitais devem implementar verificação rigorosa de idade e sistemas de consentimento parental antes de permitir qualquer coleta de dados de menores de 12 anos.
Entre 12 e 18 anos, lei cria ambiguidade interessante. LGPD não especifica se adolescentes podem consentir independentemente ou se ainda necessitam autorização parental. Esta lacuna gera interpretações divergentes que afetam diretamente como empresas operam.
Interpretação conservadora: Exigir consentimento parental até 18 anos
Interpretação liberal: Permitir consentimento independente após 12 anos
Abordagem híbrida: Graduar autonomia conforme idade e tipo de dados
Na prática, muitas empresas adotam abordagem conservadora para evitar riscos legais, especialmente para dados sensíveis ou tratamentos de alto risco.
Como confirmar realmente a idade de usuário online? Métodos comuns incluem:
Nenhum método é perfeito, criando dilema para empresas entre proteção efetiva e experiência de usuário.
Sistemas de consentimento parental devem ser simultaneamente seguros contra fraude e acessíveis para pais reais. Soluções incluem:
Email de confirmação parental – simples mas vulnerável se criança tem acesso ao email dos pais
Videochamada de verificação – mais segura mas impraticável em larga escala
Validação por cartão de crédito – eficaz mas cria barreiras de acesso
Assinatura digital qualificada – altamente segura mas complexa tecnicamente
Consentimento parental pode ser revogado a qualquer momento, mas como pais sabem que devem revogar? Muitos descobrem uso de plataformas pelos filhos apenas depois de problemas.
Obrigações empresariais: → Notificar pais periodicamente sobre dados coletados
→ Facilitar revogação através de múltiplos canais
→ Implementar exclusão imediata após revogação
→ Documentar todo processo para auditoria
Para menores, princípio da necessidade se torna ainda mais restritivo. Empresas devem coletar absolutamente apenas dados essenciais para funcionalidade básica do serviço.
Dados frequentemente desnecessários:
Dados de menores exigem medidas de segurança mais rigorosas que dados de adultos. Isso inclui:
Políticas de privacidade devem ser compreensíveis para o público alvo. Para plataformas infantis, isso significa:
Escolas coletam vast amounts of data: desempenho acadêmico, informações médicas, dados comportamentais, registros disciplinares. LGPD permite tratamento baseado em cumprimento de obrigação legal e exercício regular de direitos, mas com limitações importantes.
Dados permitidos sem consentimento específico:
Dados que requerem cuidado especial:
YouTube, TikTok, Instagram e outras plataformas enfrentam desafios únicos. Oficialmente proíbem usuários menores de 13 anos, mas verificação é limitada e muitas crianças criam contas com idades falsas.
Obrigações quando detectam menores:
Dados de saúde de menores são duplamente sensíveis – protegidos tanto como dados de menor quanto como dados de saúde. Telemedicina pediátrica deve navegar cuidadosamente:
Pais têm responsabilidade ativa de educar filhos sobre privacidade digital, não apenas controlar acesso. Isso inclui:
Conceitos fundamentais:
Habilidades práticas:
Ferramentas de controle parental podem ajudar, mas não substituem supervisão ativa. Pais devem:
Pais têm direitos específicos sob LGPD:
Acesso: Solicitar informações sobre dados coletados dos filhos
Correção: Corrigir informações incorretas
Eliminação: Requerer exclusão de dados desnecessários
Portabilidade: Transferir dados entre serviços
Revogação: Cancelar consentimentos a qualquer momento
Implementar proteções adequadas para menores é significativamente mais caro que compliance regular:
Arquiteturas de sistemas devem acomodar múltiplos níveis de proteção:
Falhas na proteção de dados infantis geram damage reputacional desproporcionalmente severo. Empresas enfrentam:
Vários estados americanos aprovaram leis exigindo verificação rigorosa de idade para plataformas digitais. Tendência pode influenciar regulamentação brasileira futura.
Reino Unido desenvolveu “Age Appropriate Design Code” com 15 standards específicos para serviços que podem ser acessados por menores. Brasil pode adotar framework similar.
Autoridades globalmente intensificaram enforcement de proteção infantil online. ANPD likely seguirá tendência com foco especial em plataformas populares entre jovens.
Para empresas que lidam com dados de menores:
Assessment inicial:
Implementação:
Manutenção:
Proteger dados de crianças e adolescentes no ambiente digital é responsabilidade compartilhada entre legisladores, empresas, pais e sociedade. LGPD fornece framework legal, mas implementação efetiva depends on cultural shift toward treating children’s digital rights seriously.
O futuro digital das próximas gerações está sendo moldado pelas decisões que tomamos hoje sobre privacy, consent e protection. É responsabilidade que não podemos falhar.
Advogado, especialista em Redes de Computadores, Segurança da Informação e Proteção de Dados. Pesquisador de novas tecnologias e amante do estudo da evolução da sociedade com as novas demandas tecnológicas.
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